#Feelings: Natural?

Há dois anos tivemos nossa última conversa e como sempre você tentou me tirar respostas pelas quais eu não estava pronta a dar. Pensei que como os outros você simplesmente estaria de fora da minha vida para sempre. Mas você voltou, e ainda se lembra das perguntas que eu não respondi. Você as faz.

Mas você não é o mesmo. Não precisa das minhas respostas, pois sabe configurá-las pelo meu olhar, meu sorriso, até pelo meu modo de amarrar o cabelo ou esconder as mãos quanto estou nervosa. Você sabe como me fazer ficar sorrindo feito uma idiota. Eu era fissurada, você dizia. Eu tenho que concordar, pois é verdade que passei minha adolescência inteira colada em caras que não estavam nem ai para mim, isso me matava e, no entanto, fazia bem.

Você sempre esteve por lá. Sempre a me dizer para não procurar pelo príncipe, a cuidar de mim. Você sempre me perguntava se algum cara estava me fazendo feliz, se estava namorando, se estava sofrendo, coisas do tipo, e sem entender bem a causa, eu simplesmente brigava e não respondia. Você me dizia que era cuidado, que as pessoas devem cuidar daquelas que amam, eu nunca entendi isso.

Você dizia que era natural quando eu perguntava do porque de querer cuidar de mim, é natural quando se ama, era tão simples e eu nunca compreendi. Pra você eu era uma patricinha, mimada e cheia de desejos, às vezes me dizia que eu era a vilã e a mocinha, sem conseguir defender o meu lado.

Um dia você me disse que tinha cansado de correr atrás de mim, que eu nunca iria querer o seu amor e por isso, faria igual a todos os outros, iria embora. Você foi. Como você mesmo disse “deixou de ser aquele pretinho idiota”, coisa que nunca achei, para crescer, se transformar. Ainda tem coisas pela qual eu não sei a resposta, mas você nunca as daria, “é coisa do meu parça” você diria, mas eu ainda preciso saber o motivo daquela frase.

Mas quando você voltou, eu não tive coragem de perguntar, na verdade, não tive tempo. Você chegou com seu jeito manso, conversa de malandro, e me fez sorrir em saber que as coisas mudaram pra melhor, que você cresceu e está em um lugar que te fará ser melhor, ser maior. Você ainda se lembra de todos os foras que levou, e isso me deixa desconsertada, você me pergunta o porquê daquilo, e eu só respondo que não sei, sei lá, eu era fissurada nisso.

Na verdade, eu precisava daquilo, precisava saber que algo era verdadeiro, e ninguém entendia que aquela era a pior crise que alguém podia passar. “O que você mudaria? Ou faria tudo de novo” você me perguntou, eu pus a mão na cabeça e brinquei sorrindo “porque me faz essas perguntas hem”, mas respondi dizendo que mudaria algumas coisas, você me pergunta se em relação a nossa conversa algo mudaria e eu afirmo que talvez sim.

Me proteger, cuidar de mim, coisas que ninguém de fora nunca quis fazer, bem essa sou eu, sempre afastando quem deseja estar por perto. Você me olhava com um sorriso esmagador, como se quisesse me fazer sentir culpada, por todo o que dizem que só o sofrimento causa. Às vezes tenho vontade de pedir desculpas, mas acho que não resolve muita coisa hoje.

E agora, estamos novamente a quilômetros de distância um do outro, você com seu sotaque e eu com minhas palavras manipuláveis. Você diz ser natural, mas será que ainda é?

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